Questões de Redação - Perguntas e Respostas Comentadas - Exercícios
questões de vestibulares
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Questões Redação

REF. Perguntas / Respostas
vestibular Unesp1991
tópico:Redação

sub-grupo:Dissertação
pergunta:Leia o texto e o poema a seguir e, baseado no que eles significam para você, escreva a sua redação, dissertativa.

O trabalhador brasileiro, em sua grande maioria, recebe salário mensal que tem como ponto de referência a chamada "Cesta Básica".


COMIDA

(Arnaldo Antunes / Marcelo Fromer / Sérgio Britto)

Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte.
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte.
A gente não quer só comida
A gente quer bebida, diversão, balé.
A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer.

Bebida é água.
Comida é pasto.
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comer,
A gente quer comer e quer fazer amor.
A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer inteiro e não pela metade.

(em "Jesus não tem dentes no país dos banguelas", Titãs, 1988)



resposta:Dissertação

vestibular Unesp1992
tópico:Redação

sub-grupo:Dissertação
pergunta:"Quem com ferro fere, com ferro será ferido."
(Provérbio)

"Todo homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal."
(Art. 3¡. da Declaração Universal dos Direitos do Homem, aprovada em 10.12.48 pela Assembléia Geral das Nações Unidas)

PROPOSTA

Para muitos, a idéia em si é abominável. Porém uns muito, uns mais ou menos e outros nem tanto enxergam na instituição jurídica da pena de morte um dos caminhos para o combate à violência que se exacerba a cada dia em nosso país. O tema tem estado em debate na imprensa e participa de discussões tanto no bar da esquina quanto no Congresso Nacional. Você, claro, já pensou nisto. Então, faça uma redação dissertativa sobre "A Pena de Morte no Brasil".
Demos-lhe, em epígrafe, duas indicações. Se você quiser e achar conveniente, utilize-as como estímulo a suas reflexões.



resposta:Dissertação

vestibular Unicamp1994
tópico:Redação

sub-grupo:Dissertação
pergunta:TEMA A

A Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e pela Vida, conhecida também como campanha contra a fome, tem provocado numerosas manifestações contraditórias, reavivando uma discussão antiga sobre a validade da ajuda aos desfavorecidos.
Levando em conta a coletânea a seguir, que contém fatos e opiniões diversas sobre aquela campanha, redija uma dissertação sobre o tema: 'dar o peixe ou ensinar a pescar?'

1. Já são quase 32 milhões de brasileiros famintos, num país que desperdiça somente em alimentos o equivalente a US$ 4 bilhões. Apenas 20% desse desperdício saciaram a fome de todos esses brasileiros miseráveis.
(O avesso da fome, "Jornal do Brasil", 12/09/93.)

2. A cada ano que passa, mil crianças morrem por dia debaixo do céu brasileiro. Morrem de doença para as quais a medicina criou uma infinidade de nomes, todos sinônimos de um só mal: fome, subnutrição.
(Eric Nepomuceno, Caderno FOME, "Jornal do Brasil", 12/09/93.)

3. Há uma miséria maior que morrer de fome no deserto: é de não ter o que comer na Terra de Canaã.
(José Américo de Almeida, "A Bagaceira")

4. Querido Cony,(...) venho te dar os parabéns pela crônica "Não é por aí". Também eu não quero bagunçar a campanha contra a fome(...), mas já era tempo de alguém dizer que para acabar com a fome precisa-se de uma reforma agrária, justiça social, melhor distribuição de renda. A caridade é uma das virtudes teologais, mas para acabar com a fome no Brasil não basta...
(Jorge Amado, Painel do Leitor, "Folha de S.Paulo","24/06/93)

5. Betinho -...há uma relação estreita entre conjuntura e estrutura. Se eu não sou capaz de mudar alguma coisa aqui e agora, seguramente não serei capaz de mudar no futuro. Toda vitória que eu consiga hoje, por menor que seja, está criando condições para a reforma estrutural.
Folha - O movimento tem um caráter filantrópico, assistencialista. A filantropia sempre foi considerada inócua e muitas vezes associada à picaretagem.
Betinho - Pilantropia (ri). Este movimento está nos obrigando a diferenciar solidariedade de assistencialismo e filantropia de pilantropia. Para mim, solidariedade é um gesto ético, de alguém que quer acabar com uma situação, e não perpetuá-la. Já assistencialismo é exatamente o contrário.
(de uma entrevista de Betinho ao jornal "Folha de S. Paulo", 05/09/93).

6. Mas eis que Chico Buarque, justificando sua participação no show do Memorial veio com um argumento curioso. Você pode dizer que distribuir alimentos não resolve nada, lembrava ele, "mas não distribuir resolve alguma coisa?" Já que nada vale nada, um pouco de caridade é melhor que nenhuma.
(Marcelo Coelho, "Folha de S.Paulo", 08/09/93).

7. Na piscina do Clube Harmonia ouvi uma senhora gordinha dizendo que a campanha contra a fome era comandada pelo PT e que tinha por objetivo arrasar com o nosso país. Outras senhoras gordinhas concordaram, repetindo a velha história de que era melhor ensinar a pescar do que dar o peixe...
(Geraldo Anhaia Mello, Painel do Leitor, "Folha de S.Paulo", 09/09/93).

8. Pessoas que moram nas ruas de São Paulo não têm uma idéia exata do que seja a campanha da Ação Cidadania contra a fome, Miséria e pela Vida. Elas se dizem cansadas de movimentos que distribuem alimentos, mas não conseguem resolver o problema da miséria. Essas pessoas - que seriam as principais beneficiadas pela campanha - pedem a criação de mais empregos, pois querem conseguir uma morada e poder escolher a comida.
("Folha de S. Paulo", 21/09/93).

9. Na esperança da revolução redentora, a palavra de ordem era ensinar a pescar. Dar o peixe era o pecado assistencialista, que retardava o processo revolucionário. (...) Hoje sabe-se: o capitalismo não acaba com a miséria. O socialismo também não. Não há mais sonho nem a utopia. Resta apenas a concretude tenebrosa da miséria (...) não se está se sugerindo que a sociedade assuma o papel do estado. Mas é importante compreender: é a sociedade que muda o estado, não o contrário. (...) (o cidadão) morrerá, como têm morrido milhares, se alguém não lhe der comida.
(Alcione Araújo, Caderno FOME, "Jornal do Brasil", 12/09/93)

10. Eu nunca senti fome na vida, mas acho que deve ser muito triste.
(Adriana, 12 anos, "Veja", 15/09/93).


TEMA B

Leia atentamente o seguinte poema de Manuel Castro:

"para lá da cortina além da porta errada
silencioso e só está sentado
e lê num livro velho
a sua própria história."

Redija uma NARRATIVA de acordo com a seguintes especificações:
1. Construa uma personagem com base nos dados fornecidos pelo poema (por exemplo, o primeiro verso referente a um erro na vida dessa personagem).
2. Conte também a história que a personagem está lendo, de tal forma que se justifiquem os dois últimos versos do poema.

TEMA C

A questão da presença do Estado na economia esta sendo rediscutida, principalmente após as mudanças ocorridas no Leste Europeu, e devido à possibilidade de reforma da Constituição Brasileira. O texto a seguir é uma reportagem que apresenta a opinião de um grupo sobre o assunto.

EMPRESÁRIOS CONTRÁRIOS AO MONOPÓLIO E ESTATIZAÇÃO

Brasília (Meridional) - Os monopólios e estabilização só servem àqueles que os exercem, e a sociedade, ao contrário de ser beneficiária, fica refém e é chantageada. Esse é o principal argumento de mobilização dos empresários brasileiros para extinguir todos os monopólios estatais da Constituição. Pesquisa da Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF) (...) sugere ampla campanha denunciando o "retrocesso e malefícios atuais".(...)
Os empresários entendem que o Estado dispõe de várias(...) formas de intervenção no domínio econômico, que começam através do poder de conceder, cuja outorgação pode ser suspensa ou cassada. "Se o Estado já detém tantos poderes extraordinários, por que ele tem que ampliar seu absolutismo através de monopólios e outras estatizações?" questiona o documento da ACDF.
No texto há, ainda, um alerta: "Se os seguimentos mais liberais da sociedade não enfrentarem com determinação e coragem a reforma constitucional, a derrota será inevitável outra vez". O presidente da Federação das Associações Comerciais do DF, Josezito Nascimento Andrade, que subscreve o documento, diz que "se os inúmeros aspectos neomarxistas da Constituição se perpetuarem, a redenção do País continuará indefinidamente adiada."

Monopólio - A pesquisa identificou 39 atividades monopolizadas, como a pesquisa, lavra, refinação e importação do petróleo e seus derivados; pesquisa e lavra de gás natural; pesquisa e lavra hidrocarbonetos fluidos; a pesquisa, lavra, enriquecimento, reprocessamento e industrialização de minérios; telefonia, telegrafia, transmissão; propriedade de recursos minerais, dos bens do subsolo; manutenção do serviço social postal e do correio aéreo.
Sobre o que se considera privilégios constitucionais, os empresários questionam a estabilidade dos servidores públicos, a irredutibilidade dos seus salários, a disponibilidade com remuneração integral, a aposentadoria integral, independente do valor da contribuição. Questionam, ainda, a falta de qualquer limitação ou parâmetro para que as assembléias legislativas fixem os salários dos deputados estaduais. Para eles, essa liberdade absoluta tem gerado as maiores distorções salariais nos poderes legislativos.
O empresariado identificou três benefícios que classificam de inflacionários: férias com mais 33,33 por cento do salário, licença-maternidade 125 dias e licença paternidade. "Constitui boa ética ganhar mais quando se está em férias? Quem ganhar mais não deve trabalhar mais? Esse adicional sem causa é um fator de custos, é inflacionário. Deve, portanto, ser eliminado", alega o documento do ACDF. Sobre a licença maternidade, ele frisa que "tem sido grande causadora de desemprego da mulher e tem levado a uma redução dramática da natalidade entre mulheres de classe média".
("Diário da Serra", Campo Grande, MS, 22 e 23/08/93).

a) Faça resumo muito breve dos pontos de vistas da ACDF e transcreva-os no alto de sua folha de redação.
b) Em seguida escolha uma das duas alternativas a seguir.

1. Suponha que você é o ghost-writer* de um deputado que concorda com os pontos de vista da reportagem, e que ele lhe encomendou um discurso para ser lido na Câmara. Escreva um texto que contenha argumentos favoráveis (aprofundando os argumentos mencionados, acrescentando outros e dando exemplo) aos pontos de vista defendidos na reportagem e que tenha as características de um discurso que um deputado faria diante de seus colegas na Câmara, para convencê-los a votar favoravelmente à mudança de alguns dispositivos numa eventual revisão constitucional.
2. Suponha que você é o ghost-writer* de um deputado que discorda dos pontos de vista da reportagem, e que ele lhe encomendou um discurso para ser lido na Câmara. Escreva um texto que contenha argumentos contrários aos pontos de vista de seus colegas na Câmara, tentando convencê-los a não alterar tais dispositivos numa eventual revisão constitucional.
*Obs. Chama-se ghost-writer a quem escreve em nome de outros.
IMPORTANTE: qualquer que seja sua opção, você deve fazer referência aos tópicos da reportagem.



resposta:Resposta pessoal.

vestibular Unesp1994
tópico:Redação

sub-grupo:Dissertação
pergunta:O Mandachuva.

Como dizia, porém, na Bruzundanga, em geral, o mandachuva é escolhido entre os advogados, mas não julguem que ele venha dos mais notáveis, dos mais ilustrados, não: ele surge e é indicado dentre os mais néscios e os mais medíocres. Quase sempre, é um leguleio da roça que, logo após a formatura, isto é, desde os primeiros anos de sua mocidade até aos quarenta, quando o fizeram deputado provincial, não teve outro ambiente que a sua cidadezinha de cinco a dez mil habitantes, mais outra leitura que a dos jornais e livros comuns da profissão - indicadores, manuais, etc.; e outra convivência que não a do boticário, do médico local, do professor público e de algum fazendeiro menos dorminhoco, com os quais jogava o solo, ou mesmo o "truque" nos fundos da botica.
É esse homem que assim viveu a parte melhor da vida, é esse homem que só viu a vida de sua pátria na pacatez de quase uma aldeia; é este homem que não conheceu senão a sua camada e que seu estulto orgulho de doutor da roça levou a ter sempre um desdém bonachão pelos inferiores; é este homem que empregou vinte anos, ou pouco menos, a conversar com o boticário sobre as intrigas de seu lugarejo; é este homem cuja cultura artística se cifrou em dar corda no gramofone familiar; é este homem cuja única habilidade se resume em contar anedotas; é um homem destes, meus senhores, que depois de ser deputado provincial, geral, senador, presidente de província, vai ser o mandachuva da Bruzundanga. (...)
Durante esse longo tempo em que ele passa como deputado senador, isto e aquilo, o esperançoso mandachuva é absorvido pelas intrigas políticas, pelo esforço de ajeitar os correligionários, pelo trabalho de amaciar os influentes e os preponderantes, na política geral e regional. A sua atividade espiritual limita-se a isto.
Os preponderantes e os influentes têm todo o interesse em não fazer subir os inteligentes, os ilustrados, os que entendem de qualquer cousa; e tratam logo de colocar em destaque um medíocre razoável que tenha mais ambição de subsídios do que mesmo a vaidade do poder.
Além disso, eles têm que entender aos capatazes políticos das localidades das províncias; e, em geral, estes últimos indicam, para os primeiros postos políticos, os seus filhos, os seus sobrinhos e de preferência a estes: os seus genros.
A ternura de pai quer sempre dar essa satisfação à vaidade das filhas.

(in Lima Barreto. OS BRUZUNDANGAS. 2 ed.. São Paulo: Brasiliense, 1961, pp. 90/91.)

No texto que lhe apresentamos, publicado há 70 anos, o escritor Lima Barreto (1881-1922) traça o perfil do Presidente da República e satiriza as estruturas de poder que definem um país imaginário chamado Bruzundanga. Aqui no Brasil, ano que vem, haverá eleições para Presidente (e vice), Governadores (e vices), Senadores e Deputados federais e estaduais. As estruturas de poder poderão se modificar ou permanecer como estão dependendo dos homens, mulheres e partidos que a população eleger. Pense nisto, e escreva uma redação de gênero Dissertativo sobre o seguinte tema:

"O Brasil de ontem, de hoje, e as eleições de amanhã."



resposta:Dissertação.

vestibular Fuvest1995
tópico:Redação

sub-grupo:
pergunta:Do ponto de vista da composição, é correto afirmar que o capítulo "Filosofia dos epitáfios":
a) é predominantemente dissertativo, servindo os dados do enredo e do ambiente como fundo para a digressão.
b) é predominantemente descritivo, com a suspensão do curso da história dando lugar à construção do cenário.
c) equilibra em harmonia narração e descrição, à medida que faz avançar a história e cria o cenário de sua ambientação.
d) é predominantemente narrativo, visto que o narrador evoca os acontecimentos que marcaram sua saída.
e) equilibra narração e dissertação, com o uso do discurso indireto para registrar as impressões que o ambiente provoca no narrador.



resposta:[A]

vestibular Unicamp1995
tópico:Redação

sub-grupo:Dissertação
pergunta:Em momentos de crise, o homem procura desesperadamente encontrar saídas. Cientistas sociais, filósofos, políticos afirmam que é preciso alterar as condições econômicas, sociais, educacionais, para que os indivíduos possam desenvolver seus problemas; místicos, esotéricos e defensores de várias formas de auto-ajuda prometem saídas pessoais, por vezes rápidas e eficazes. Na coletânea a seguir você encontra elementos relevantes para a análise dessa questão. Com base nos fragmentos dessa coletânea, redija um texto dissertativo sobre o seguinte tema: SAÍDAS MILAGROSAS PARA A CRISE: SOLUÇÃO OU ILUSÃO? Ao desenvolver a sua redação, além de expor suas opiniões, você deverá necessariamente levar em consideração a coletânea a seguir.

1. A auto-ajuda contém uma filosofia do senso comum, uma espécie de refinamento do que se vê nos pára-choques de caminhão.
"Sorria para a vida e ela sorrirá para você", por exemplo. Ou então: "Toda jornada começa com um passo". É possível discordar disso?


2. OS MAIS VENDIDOS.

Ficção:
1 - "O Alquimista", Paulo Coelho (8-212*)
2 - "Escrito nas Estrelas", Sidney Sheldon (1-14)
3 - "Memorial de Maria Moura", Rachel de Queiroz (3-31*)
4 - "O Dossiê Pelicano", John Grisham (4-10)
5 - "Recomeço", Danielle Steel (5-3)
6 - "A Firma", John Grisham
7 - "O Parque dos Dinossauros", Michael Crichton (4-9)
8 - "Bala na Agulha", Marcelo Rubens Paiva (8-39*)
9 - "As Valkírias", Paulo Coelho (2-53)
10 - "Noite sobre as Águas", Ken Follet (10-55*)

Não-Ficção:
1 - "Emagreça Comendo", Lair Ribeiro (1-6)
2 - "O Sucesso Não Ocorre por Acaso", Lair Ribeiro (2-56)
3 - "Prosperidade", Lair Ribeiro (3-37*)
4 - "Comunicação Global", Lair Ribeiro (5-50)
5 - "À Sombra das Chuteiras Imortais", Nelson Rodrigues (6-5)
6 - "Pequeno Manual de Instrução da Vida", Jackson Brown (7-18)
7 - "Minutos de Sabedoria", Torres Pastorino (8-8*)
8 - "Arte & Manhas da Sedução", Marion Vianna Penteado (9-12)
9 - "Na Sala com Danuza", Danuza Leão (4-48*)
10 - "Manual do Orgasmo", Marilene Cristina Vargas (7-5*)

Os números entre parênteses indicam: a) cotação do livro na semana anterior; b) há quantas semanas o livro parece na lista; (*) semanas não consecutivas. Esta lista não inclui os livros vendidos em bancas.

3. O arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns, acredita que os livros de Paulo Coelho sejam uma espécie de apoio dos desacreditados na religião. "Eles oferecem um mundo espiritualizado para o vazio deixado pelo materialismo da máquina e ensinam a felicidade que cada um busca", diz dom Paulo.
(A CONVERSÃO DO MAGO, "Isto É", 03/08/94)

4. Para quem ainda não sabe, a grande tábua de salvação chama-se programação neurolingüística, PNL, tem menos de vinte anos de vida e é um sucesso planetário, sozinha ou somada a outras técnicas. Nada que é humano, de crises de claustrofobia a paixões por doces, lhe é estranho. Tudo é importante, tudo tem remédio. Ensina que o negócio não é ver para crer, mas crer para ver. (...) Andam dizendo que introduziu nos trópicos o conceito de felicidade portátil, do faça você mesmo agora (...).
Imagine-se, vendo para crer, uma platéia de cinqüenta pessoas reunidas num hotel (...) para ouvir o doutor Lair Ribeiro (...):
"O cérebro é uma máquina sofisticadíssima que vem sem um manual de instruções". (...) "Ele foi programado para te dar o que você quer e para ele você quer tudo o que pensa". (...) "Repita: dinheiro cresce como árvore. Dinheiro é limpo. Contribui para a felicidade. Pessoas ricas são abençoadas. O ser humano nasceu para ser próspero".

5. Há também quem veja utilidade em tudo isso, como o psicanalista carioca Luiz Alberto Py. Ele acha que a auto-ajuda é um caso de down=trading, uma característica do mercado de cigarros em que muitas vezes uma marca barata supera a venda das campeãs porque o preço delas subiu demais. "A psicanálise é cara. Comprar um livro de auto-ajuda é mais barato e pode funcionar", diz.
(Os fragmentos 1, 4 e 5 foram extraídos de A FELICIDADE PORTÁTIL, VEJA, 24/11/93)

6. VEJA - É possível recuperar a auto-estima brasileira, perdida na década de 80?
S. KANITZ [economista] - Os brasileiros foram cobaias de experimentos econômicos por quase dez anos, o que baixa a auto-estima de qualquer um. O Lair Ribeiro é resultado disso. Se as pessoas não estivessem de astral tão baixo, ele não venderia tantos livros. A auto-estima começa a melhorar quando você tem controle sobre sua vida econômica.
(A CRISE JÁ ERA, VEJA, 12/10/94)

7. As modernas listas de best sellers ilustram a imensa necessidade que temos desses livros de iniciação, verdadeiros manuais de sobrevivência para a travessia da vida. Mas a arte de viver adulta, envergonhada, costuma se apoiar em dois álibis: ou na psicologia, e então temos as lições positivas de Lair Ribeiro, ou na religião, e temos aqui as fábulas esotéricas de Paulo Coelho. Não ousamos, ainda, nos apegar a uma arte de viver sem muletas, moldada diretamente pela própria vida.
(José Castello, Caderno 2, "O Estado de S. Paulo", 08/11/94)

8. A crise criou discursos, que se digladiam pelos louros do acerto. No discurso clamor à nação, o orador pede a uma Razão secreta que desperte, tipo "Deus, onde estás que não respondes?". Tende para o religioso, para o sagrado horror, já que não há nenhuma Central da Razão que tome uma providência. (...). A crise é boa para aumentar o contato com o absurdo, logo, com o mistério da vida. Neste sentido, a crise é filosófica.
(adaptado de Arnaldo Jabor, "A crise é a salvação de muitos brasileiros", OS CANIBAIS ESTÃO NA SALA DE JANTAR)

9. Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem arbitrariamente, em circunstâncias escolhidas por eles mesmo, e sim em circunstâncias diretamente dadas e herdadas do passado.
(Karl Marx, O 18 BRUMÁRIO DE LUÍS BONAPARTE)

10. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp'ro, não fantasêia. (...)
Viver é muito perigoso...
(palavras de Riobaldo, personagem de GRANDE SERTÃO: VEREDAS, de João Guimarães Rosa)



resposta:Dissertação.

vestibular Unicamp1995
tópico:Redação

sub-grupo:Narração
pergunta:Na coletânea a seguir, há elementos para a construção de um texto narrativo em que se tematiza o relacionamento de duas pessoas, o cruzamento de duas vidas. Sua tarefa será desenvolver essa narrativa, segundo as INSTRUÇÕES GERAIS.

A tragédia deste mundo é que ninguém é feliz, não importa se preso a uma época de sofrimento ou de felicidade. A tragédia deste mundo é que todos estão sozinhos. Pois uma vida no passado não pode ser partilhada com o presente.
(ALAN LIGHTMAN, 'Sonhos de Einstein', 1993)

CENA A: Um Homem, Uma Mulher.*

- Uma mulher deitada no sofá, cabelos molhados, segurando a mão de um homem que nunca voltará a ver.
- Luz do sol, em ângulos abertos, rompendo uma janela no fim da tarde (...) Uma imensa árvore caída, raízes esparramadas no ar, casca e ramos ainda verdes.
- O cabelo ruivo de uma amante, selvagem, traiçoeiro, promissor.
- Um homem sentado na quietude de seu estúdio, segurando a fotografia de uma mulher; há dor no olhar dele.
- Um rosto estranho no espelho, grisalho nas têmporas.
- As sombras azuis das árvores numa noite de luar cheia. O topo de uma montanha com um vento forte e constante.

CENA B: Um Pai, Um Filho*

- Uma criança à beira mar, enfeitiçada pela primeira visão que tem do oceano.
- Um barco na água à noite, suas luzes tênues na distância, como uma pequena luz vermelha no céu negro.
- Um livro surrado sobre uma mesa ao lado de um abajur de luz branda.
- uma chuva leve em um dia de primavera, em um passeio que será o último passeio que um jovem fará no lugar que ele ama.
- Um pai e um filho sozinhos em um restaurante, o pai, triste, olhos fixo na toalha de mesa.
- Um trem com vagões vermelhos, sobre uma grande ponte de pedra, de arcos delicados, o rio que sob ela corre, minúsculos pontos que são casas à distância.

INSTRUÇÕES GERAIS:

- Escolha um elemento de apenas uma das cenas apresentadas (A ou B), para construir, as duas personagens, o cenário, o enredo e o tempo de sua narrativa.
- O foco narrativo deverá ser em 3 pessoa.
- O desenvolvimento do enredo, a partir da cena escolhida por você, deverá levar em consideração o trecho de Alan Lightman, que introduz a coletânea.

*(os fragmentos das cenas A e B também foram extraídos do livro de A. Lightman)



resposta:Narração.

vestibular Unicamp1995
tópico:Redação

sub-grupo:
pergunta:Na luta contra a Aids defrontam-se os rigorosos, que exigem respeito aos princípios preventivos básicos e corretos, contra os complacentes. Aqueles exaltam o valor do relacionamento sexual responsável, o combate efetivo à toxicomania e a adequada seleção de doadores de sangue. Os outros preconizam coisas mais agradáveis, como por exemplo o emprego desbragado e a doação gratuita de camisinha, a distribuição de seringas com agulhas a drogados e a perigosa, além de problemática, lavagem delas com água sanitária. Agora, os permissivos, que não estão obtendo qualquer vitória, pois a doença afigura-se cada vez mais difundida, ganharam novo aliado: o Conselho Federal de Entorpecentes (CONFEN), que concordou com o fornecimento de seringas e agulhas, sem ônus, aos viciados. Portanto, esse órgão público associou ilegalidade à complacência.
(VICENTE AMATO NETO, médico infectologista, Painel do Leitor, Folha de S. Paulo, 18/09/94)

A carta acima fez referência a uma proposta polêmica do CONFEN (Conselho Federal de Entorpecentes): o fornecimento gratuito de seringas e agulhas a viciados em drogas injetáveis.
a) Caso você concorde com a proposta da CONFEN, escreva uma carta ao Dr. Vicente Amato Neto, procurando convencê-lo de que ela pode de fato contribuir para evitar a disseminação do vírus da Aids.
b) Caso você discorde dessa proposta, escreva uma carta ao presidente da CONFEN, procurando convencê-lo de que ela não deve ser posta em prática.
Ao desenvolver sua redação, além de expor suas opiniões, você deverá necessariamente levar em consideração a coletânea a seguir.

1. Graças a uma legislação liberal, a maior cidade Suíça (Zurique) criou uma área especial - Letten, uma estação de trens desativada - onde é possível comprar e usar heroína em plena luz do dia. (...) Desde 1992, quando os junkies* se mudaram da Platzpitz, uma praça no centro da cidade, para Letten, o consumo não pára de crescer - um fato atestado pelas 15.000 seringas descartáveis distribuídas diariamente na velha estação. A única vantagem é que a distribuição reduziu o ritmo de disseminação da Aids.
[*junkies: termo inglês que significa drogados.]
(O pico à luz do dia, VEJA, 07/09/94)

2. Em nosso país, exige-se o diploma para que alguém aplique injeção endovenosa, porque pessoas não treinadas criam perigosas situações para si ou para outros, ao realizar inoculações. Fornecer agulhas e seringas a pessoas não habilitadas para seu uso é como dar um carro a menores de idade, ou uma arma a quem não sabe utilizá-la. Isso é pelo menos indesejável para a sociedade, além de ser ilegal. No caso, a ilegalidade se tornaria incontrolável, pois o distribuidor dos medicamentos e agulhas seria o próprio Estado.
A proposta de um programa como esse não leva em conta a realidade, causando desperdício de recursos já precários. Tais propostas são feitas por pessoas que nunca viram, de fato, como funciona uma "roda", provavelmente dirigentes sem formação médica e sem assessoria adequada (sociológica etc). Não é difícil adivinhar que se trata de um plano que só beneficia vendedores de agulhas e seringas e burocratas de escritório, não tendo qualquer conseqüência para a epidemia da Aids.
[*roda: prática, comum entre drogados, que consiste no uso de uma mesma seringa por várias pessoas.]
(adaptação de VICENTE AMATO NETO & JACYR PASTERNAK, 'A doação de seringas e agulhas a drogados', O ESTADO DE S. PAULO, 05/09/94)

3. A distribuição de seringas para usuários de drogas pode diminuir pela metade a taxa de propagação do vírus da Aids neste grupo de risco. A conclusão é de uma pesquisa realizada na Universidade John Hopkins, de Nova York, que envolveu 22 mil pessoas em vários bairros nova-iorquinos.(...)
Antes do programa, uma seringa era emprestada, alugada ou vendida em média 16 vezes nos bairros onde foi feito o controle. O programa reduziu este número em quatro vezes.
Existem 200 mil usuários de drogas injetáveis em Nova York, metade deles infectados com o vírus da Aids.
(Programa corta em 50% taxa de infecção de HIV, "Folha de S. Paulo", 02/11/94)

4. [No futuro, pagaremos] caro pela ignorância e irresponsabilidade do passado. Acharemos inacreditável não havermos percebido em tempo, por exemplo, que o vírus da Aids, presente na seringa usada pelo adolescente da periferia para viajar ao paraíso por alguns instantes, infecta as mocinhas da favela, os travestis na cadeia, as garotas da boate, o meninão esperto, a menina ingênua, o senhor enrustido, a mãe de família e se espalha para a multidão de gente pobre, sem instrução de higiene. Haverá milhões de pessoas com Aids, dependendo de tratamentos caros e assistência permanente. (...)
(DRAUZIO VARELLA, 'A era dos genes', "Veja 25 anos" - Reflexões para o futuro, 1993)



resposta:Resposta pessoal.

vestibular Unesp1995
tópico:Redação

sub-grupo:Dissertação
pergunta:TEXTO PARA REFLEXÃO

Quem são os heróis de nossa gente?

O que não falta na história do Brasil são heróis: Cabral o que descobriu; Martim Afonso, o que colonizou; Anchieta, o que catequizou; Paes Leme, o que desbravou; Calabar, o que traiu; Tiradentes, o que antecipou; D. Pedro I, o que gritou; D. Pedro II, o que dançou; princesa Isabel, a que redentou; Caxias, o que espadou; Deodoro, o que proclamou; Oswaldo Cruz, o que saneou; Santos Dumont, o que vôou; Bilac, o que obrigou; Getúlio, o que se matou; Pelé, o que marcou, e Roberta Close, a que mudou...
Para cada herói uma marca: os passos de nosso atraso.
Nas escolas ainda se ensina que o Brasil se tornou independente pelo grito de D. Pedro I. Aliás, tentaram de tudo para fazer de D. Pedro um herói, jogaram até um famoso ator de televisão em cima dele. Não deu certo. Suas cinzas, que estavam em Portugal (ele morreu como D. Pedro IV, rei de Portugal), foram trocadas por um volume dos Lusíadas, de Camões, de uma rara edição do século XVI. Os portugueses levaram a poesia. Nós, os inteligentes, ficamos com as cinzas de um herói desacreditado.
Nessa história de D. Pedro se "esquece", por exemplo, que ele mandou fuzilar um verdadeiro líder popular e revolucionário: Frei Caneca, que liderou a Confederação do Equador, em 1824, em Pernambuco. Também se esquecem seus compromissos estrangeiros (principalmente com a Inglaterra) e com a classe dominante local.
Um certo exemplo que poderia ser visto é o do mito do herói bandeirante. Como sabemos, as entradas e bandeiras do século XVI tinham como objetivo penetrar no território brasileiro, a partir de São Paulo, para a obtenção de metais preciosos e escravos. A ação dos bandeirantes era puramente predatória, para não dizer criminosa. Porém, no século XIX, quando se consolida em São Paulo uma aristocracia, fundamentada na exploração do café, se cria também um mito. Na verdade, ideologia: a de que essa classe tinha como antepassados figuras heróicas e desbravadoras. O que era restrito a um grupo passou a permear o todo da sociedade.
Porém, a dinâmica da sociedade paulista, num ritmo de transformações aceleradas, fez com que os próprios filhos dessa aristocracia questionassem seus mitos. E hoje os bandeirantes são vistos mais próximos do que na verdade foram.
A crítica aos heróis, por outro lado, nem sempre tem sido tranqüila. Dois exemplos: em 1978, um cronista do jornal 'Folha de São Paulo' foi preso, enquadrado na Lei de Segurança Nacional, porque "ousou" comparar um simples soldado que morreu tentando salvar uma criança num zoológico com o patrono do Exército Nacional: Duque de Caxias. Acusação: ofensa aos "heróis da Pátria". Em 1983, um jovem escritor e historiador do Rio Grande do Sul chegou a ser ameaçado de morte por publicar um pequeno livro onde documenta que o maior "herói" rio-grandense, Bento Gonçalves, era contrabandista de cavalos e aliado das classes dominantes, dos estancieiros e dos latifundiários.

(FEIJÓ, Martin Cezar. "O que é herói", São Paulo: Brasiliense, 1984, pp. 45-7.)


PROPOSIÇÃO

Daqui a uma semana, jornais, revistas, emissoras de rádio e, principalmente, redes de televisão estarão apresentando as "Retrospectivas de 1994". Estaremos relembrando fatos nacionais e mundiais que aguçaram nosso sentimento de apreço e nossa paixão, quer pelos impactos e suas importâncias históricas, quer pelos tratamentos jornalísticos que lhes foram dados. As notícias de ações individuais ou coletivas foram algumas vezes tratadas de maneira a lhes dar uma feição heróica; algumas pessoas, com justeza ou exagero, viraram heróis.
O texto de Martin Cezar Feijó, certamente bastante cético e irreverente, e com o qual, evidentemente, você pode, ou não concordar, trata da figura do "herói". Releia-o e, a seguir, escreva uma REDAÇÃO DISSERTATIVA enfocando o seguinte tema:

A IMPORTÂNCIA DA MÍDIA PARA O SURGIMENTO DE HERÓIS EM NOSSOS DIAS.



resposta:Dissertação.

vestibular Fuvest1995
tópico:Redação

sub-grupo:Tipos de Discurso
pergunta:"Maurício saudou, com silenciosa admiração, esta minha avisada malícia. E imediatamente, para o meu Príncipe:
-Há três anos que não te vejo, Jacinto... Como tem sido possível, neste Paris que é uma aldeola, e que tu atravancas?"
[EÇA DE QUEIRÓS, 'A Cidade e as Serras']

a) Transponha para o discurso indireto o excerto acima, fazendo as adaptações necessárias.
b) Justifique, agrupando-as em dois blocos, as alterações realizadas.



resposta:a) ... E Maurício imediatamente disse para o meu Príncipe que havia três anos que não o via e perguntou como isto teria sido possível, naquele Paris que era uma aldeola, e que Jacinto atrancava.

b) O discurso indireto traz a fala da personagem através do narrador.

vestibular Fuvest1995
tópico:Redação

sub-grupo:Dissertação
pergunta:Em muitas pessoas já é um descaramento dizerem "Eu".
[T. W. ADORNO]

Não há sempre sujeito, ou sujeitos. (...)
Digamos que o sujeito é raro, tão raro quanto as verdades.
[A. BADIOU]

Todos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.
[T. W. ADORNO]

Relacione os textos e escreva uma dissertação em prosa, discutindo as idéias neles contidas e expondo argumentos que sustentem o ponto de vista que você adotou.



resposta:Dissertação.

vestibular Fuvest1991
tópico:Redação

sub-grupo:Tipos de Discurso
pergunta:O primeiro parágrafo de "O Atheneu" neu" é um discurso direto. Passe-o para o indireto.



resposta:Meu pai disse-me, à porta do Atheneu, que eu ia encontrar o mundo e que (eu) tivesse coragem para a luta.

 


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