Questões de português
Origem: Ufrj
(Ufrj1996) Confronte os trechos destacados nos trechos A e B.
A
"apesar da aparência DE VELHO"
B
"seu aspecto era DE UM VELHO COMO TANTOS OUTROS"
"maroto como o DE UM VELHINHO BEM-HUMORADO"
a) Como se justifica a ausência de artigo no trecho destacado no trecho A?
b) No trecho B, o artigo indefinido tem seu sentido reiterado em um dos dois trechos destacados.
Que recurso lingüístico é responsável por essa reiteração? Explique sua resposta.
resposta:a) Não se quis caracterizar o substantivo velho, deixando-o no sentido geral.
b) A comparação "como tantos outros". "Tantos outros" reitera o sentido de indeterminação do artigo indefinido.
(Ufrj1996) No poema, a saudade da amada (estrofes 1, 2 e 4) e a esperança do reencontro (estrofe 5) são temas que expressam uma ligação do homem romântico com o tempo.
Qual a relação entre esses temas, o estado de insatisfação do eu lírico e a ligação do sujeito romântico com o tempo?
resposta:O homem romântico vive insatisfeito com a realidade que o circula, preferindo sempre o mundo ideal ao mundo real. Assim, o tempo preferido dos românticos é o passado, para o qual freqüentemente evadem, havendo também a possibilidade de uma satisfação de desejos futura na forma de esperança.
(Ufrj1996) Na literatura romântica, o homem coloca-se, com freqüência, numa posição simulada de vassalo, a cortejar e a adorar passivamente sua senhora, figura em geral idealizada.
Que função sintática revela esse posicionamento da figura masculina, no verso "Descansa-me no teu seio" (última estrofe)? Justifique sua resposta.
resposta:O eu lírico revela sua passividade ao colocar-se sintaticamente como objeto direto de descansar, sofrendo o efeito da ação desencadeada por sua amada.
(Ufrj1996) MAPA-MÚNDI
A facilidade de comunicações acabou com esses tanques em que floresciam as diferentes culturas. Quando antes se olhava o mapa-múndi e via-se cada país de um colorido diferente, podia-se tomar isso ao pé da letra. É verdade que o mundo continuou a ser uma colcha de retalhos; mas são todos da mesma cor. Bombaim, Roma Tóquio, que se escondiam, cada um com seu peculiar mistério, nos compartimentos estanques de sua própria civilização, agora, a julgar pelos filmes, estão perfeitamente padronizados, universalizados.
E, no mundo de hoje, para desconsolo dos descendentes de Sindbad e de Marco Pólo, a única cor local das cidades famosas são os turistas.
(QUINTANA, Mário. PROSA E VERSO. Compilação do autor. Porto Alegre: Globo, 1978.)
"ANTES"
"cada país de um colorido diferente"
"DEPOIS"
"Bombaim, Roma, Tóquio"[...]
"a julgar pelos filmes, estão perfeitamente padronizados, universalizados"
a) Os trechos anteriormente transcritos caracterizam um mundo de ANTES e um mundo de AGORA.
Segundo o texto, essa transformação apagou todos os traços originais que individualizavam e distinguiam cada país e cada cultura?
Retire do texto a frase que comprova sua resposta.
b) Explique, então, o efeito expressivo obtido com o emprego do advérbio "perfeitamente" em "agora, a julgar pelos filmes, estão perfeitamente padronizados, universalizados.".
resposta:a) Sim, o autor considera que tudo está padronizado, tomando como referência o cinema.
"Bombaim, Roma ... estão perfeitamente padronizados, universalizados."
b) O emprego do advérbio "perfeitamente" confere certa ambigüidade: pode dar idéia de padronização sem defeitos ou de padronização total, cabal.
(Ufrj1996) Na primeira estrofe, fala-se do passado como o tempo dos acontecimentos que deslizavam "lentos e longos".
O emprego do pretérito imperfeito e o uso do gerúndio reforçam essa idéia. Explique por quê.
resposta:O pretérito imperfeito exprime um fato que não foi totalmente concluído no momento da fala; portanto, longo, lento.
O gerúndio dá a idéia de ação verbal em curso, reiterando a noção de acontecimentos longos.
(Ufrj1996) a) O título estabelece relação mais estreita e específica com um dos versos do poema.
Transcreva esse verso.
b) Através do título, o poema apresenta ao leitor uma avaliação sobre o progresso.
Essa avaliação é negativa ou positiva? Justifique sua resposta.
resposta:a) "Os aviões desceram e levaram os caminhos"
b) É negativa, pois o progresso está associado à idéia de rapinagem, de roubo.
(Ufrj1996) "e possa enfim o ferro
comer a ferrugem,"
Sabendo-se que habitualmente é a ferrugem que come o ferro, estabeleça a relação entre os versos anteriormente citados e o projeto modernista na literatura brasileira.
resposta:Como na inversão do processo químico sugerida pelos versos, os modernistas queriam uma completa inversão de valores, propondo uma linguagem mais dinâmica, o fim da rigidez forma na poesia, etc. Enfim, queriam uma renovação radical na estética literária.
(Ufrj1996) O pronome demonstrativo "essa" pode ter, dentre outras, as seguintes funções:
- indicar a localização no espaço em relação à segunda pessoa do discurso (perto da pessoa com quem se fala / a quem se escreve);
- lembrar ao ouvinte ou ao leitor algo já mencionado.
Após reler o início do poema de João Cabral, responda:
a) A qual dos empregos anteriormente descritos corresponde o uso do pronome demonstrativo no primeiro verso?
b) Justifique a resposta do item anterior e retire do poema o dado que a comprova.
resposta:a) Lembrar ao ouvinte ou leitor algo já mencionado.
b) O poema tem como título "Cartão de Natal", que remete à idéia de nascimento de uma criança. O poema faz menção a isso.
(Ufrj1996) Na segunda estrofe, apresentam-se os votos para o futuro numa perspectiva predominantemente pessimista ou otimista? Justifique a resposta, com suas palavras.
resposta:A perspectiva é otimista, pois se espera que o sim possa comer o não, embora a presença dos advérbios "desta vez" e "enfim" denuncie uma história de insucessos.
(Ufrj1997) a) Apesar de apresentar o texto em terceira pessoa, em um momento a jornalista se inclui especificamente entre as mulheres modernas que lhe servem de tema.
Transcreva do primeiro parágrafo do texto o segmento que mostra essa inclusão.
b) A ironia é definida como "Modo de exprimir-se que consiste em dizer o contrário daquilo que se está pensando ou sentindo..."; transcreva do segundo parágrafo do texto a expressão que é considerada ironia segundo a definição dada.
resposta:a) "... todas sabemos ..."
b) "... doc) "... doce organograma ..."
(Ufrj1997) "Patroa/empregada" (3¡. parágrafo) e "empregada-robô" (3¡. parágrafo) têm na grafia sinais (barra, hífen) de significados distintos.
Quais são esses significados, considerando-se as ocorrências destacadas?
resposta:No primeiro caso, o valor da barra é de acréscimo, enquanto no segundo caso, o valor do hífen é de comparação.
(Ufrj1997) Os personagens presentes nesse fragmento do romance O QUINZE opõem-se, entre outros aspectos, pela visão que possuem sobre a função da leitura.
Explique essa oposição com suas próprias palavras.
resposta:Para Mãe Inácia, a leitura é simples lazer enquanto para Conceição é meio de informação e instrução.
(Ufrj1997) "Lá vem a Mãe Nácia com briga! NÃO É DOMINGO? ESTOU DESCANSANDO." (parágrafo 8)
Reescreva as orações em destaque, unindo-as em um só período por meio de uma palavra de ligação, mantendo o sentido original do texto.
resposta:Já que é domingo, estou descansando. É domingo e eu estou descansando. Estou descansando porque é domingo. (outras possibilidades equivalentes)
(Ufrj1997) Os dois primeiros parágrafos da narrativa são representativos de um modo de organização discursiva: o descritivo.
a) Indique duas características da descrição presentes nesse segmento do texto.
b) Exemplifique as características dadas com elementos do texto.
resposta:a) A presença marcante de adjetivos ou de sensações visuais, auditivas; o uso do imperfeito do indicativo; a unidade temporal.
b) "... SILÊNCIO doce tudo ENVOLVIA..."; "Conceição lia, com os olhos ESCUROS intensamente absorvido na brochura de capa BERRANTE."
(Ufrj1997) A personagem Conceição mostra certa contradição entre sua posição progressista em relação ao papel da mulher na sociedade e os valores tradicionalmente atribuídos a ela.
Destaque duas palavras da fala de Conceição que revelam essa contradição.
resposta:renuncia; obrigações; vazia.
(Ufrj1997) DIVINA
Eu não busco saber o inevitável
das espirais da tua vã matéria.
Não quero cogitar da paz funérea
que envolve todo o ser inconsolável.
Bem sei que no teu círculo maleável
de vida transitória e mágoa séria
há manchas dessa orgânica miséria
do mundo contingente, imponderável.
Mas o que eu amo no teu ser obscuro
é o evangélico mistério puro
do sacrifício que te torna heroína.
São certos raios da tu'alma ansiosa
é certa luz misericordiosa,
é certa auréola que te faz divina!
(Cruz e Sousa. "Poesias completas", Governo do Estado de Santa Catarina, Fundação Catarinense de Cultura, 1981, p.89)
De acordo com a concepção simbolista, o corpo representa um obstáculo ao verdadeiro desenvolvimento do homem.
a) Transcreva do texto, o verso que melhor condensa tal marca de estilo.
b) Explique a relação entre esse verso e a quarta estrofe do poema em termos semânticos.
resposta:a) o verso 2
b) relação de oposição (matéria X espírito)
(Ufrj1997) No texto, o poeta fala da sedução da mulher e da sedução da casa.
Para o eu-lírico, em que o segundo tipo de sedução é superior ao primeiro?
resposta:A sedução da mulher é "de fachada", de aparências, enquanto a sedução da casa "vem de como é por dentro".
(Ufrj1997) A geração de 45 marca certa volta à valorização formal do poema em termos tradicionais.
Indique duas características do poema de João Cabral que justificam essa afirmativa.
resposta:A preocupação formal aparece na estrofação regular, na métrica homogênea e na presença de rimas.
(Ufrj1997) TEXTO 1: DIVINA
Eu não busco saber o inevitável
das espirais da tua vã matéria.
Não quero cogitar da paz funérea
que envolve todo o ser inconsolável.
Bem sei que no teu círculo maleável
de vida transitória e mágoa séria
há manchas dessa orgânica miséria
do mundo contingente, imponderável.
Mas o que eu amo no teu ser obscuro
é o evangélico mistério puro
do sacrifício que te torna heroína.
São certos raios da tu'alma ansiosa
é certa luz misericordiosa,
é certa auréola que te faz divina!
(Cruz e Sousa. "Poesias completas", Governo do Estado de Santa Catarina, Fundação Catarinense de Cultura, 1981, p.89)
TEXTO 2: A MULHER E A CASA
Tua sedução é menos
de mulher do que de casa:
pois vem de como é por dentro
ou por detrás da fachada.
Mesmo quando ela possui
tua plácida elegância,
esse teu reboco claro,
riso franco de varandas,
uma casa não é nunca
só para ser contemplada;
melhor: somente por dentro
é possível contemplá-la.
Seduz pelo que é dentro,
ou será, quando se abra:
pelo que pode ser dentro
de suas paredes fechadas;
pelo que dentro fizeram
com seus vazios, com o nada;
pelos espaços de dentro,
não pelo que dentro guarda;
pelos espaços de dentro:
seus recintos, suas áreas,
organizando-se dentro
em corredores e salas,
os quais sugerindo ao homem
estâncias aconchegadas,
paredes bem revestidas
ou recessos bons de cavas,
exercem sobre esse homem
efeito igual ao que causas:
a vontade de corrê-la
por dentro, de visitá-la.
(João Cabral de Melo Neto. "Poesias completas", Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1979, p.153)
Explique a principal diferença na apreensão da figura feminina nesses dois textos.
resposta:No texto 1 a mulher é comparada a um ser divino (incomum, de exceção) enquanto, no poema 2, a mulher é comparada a uma casa (comum, do cotidiano).
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